top of page
Buscar

A Necessidade do Cordeiro

Um produto só é bom quando ele supre a nossa necessidade. Nós sabemos disso, e pensamos nisso quando vamos comprar alguma coisa. Ninguém sai por aí comprando algo que não funciona, pelo menos não intencionalmente. Talvez você seja enganado pela propaganda, mas você não chega numa loja, olha um produto, pensa algo como, “hmmm… isso aqui deve ser um produto horrível, não deve servir pra nada… vou comprar!”. Não faz sentido pensar assim — e de fato, nós não pensamos assim. Nós queremos algo que funcione. E é assim para tudo o que nós compramos, mas principalmente para as coisas que são realmente necessárias, aquelas coisas que nós “não podemos viver sem”. Quando identificamos uma necessidade, nós queremos algo bom para suprir aquela necessidade.

 

A Palavra de Deus nos mostra, desde Gênesis 3, uma necessidade gritante que temos por um Salvador. O pecado tira de nós aquilo que mais precisamos, nosso relacionamento com Deus. Mas como podemos solucionar esse problema? Como essa necessidade seria suprida? O que precisa acontecer para que tenhamos de volta o relacionamento com Deus?

 

Precisamos de Um Novo Coração

 

Perto do fim do seu último discurso para o povo de Israel, em Deuteronômio 29 e 30, quando Moisés está preparando o povo para entrar na Terra Prometida, ele deixa duas coisas claras: (1) a condição do povo e (2), o que precisava acontecer para que o povo pudesse desfrutar de um relacionamento com Deus. Em Deuteronômio 29.2b–4, Moisés diz o seguinte:

 

“... Vocês viram com os seus próprios olhos tudo o que o SENHOR fez na terra do Egito com Faraó, com todos os seus servos, e com toda a sua terra.

Viram grandes provas, sinais e grandes maravilhas.

Mas até o dia de hoje o SENHOR não deu a vocês um coração para entender,

nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir.”

 

Eles saíram do Egito, mas isso não foi capaz de tirar o pecado deles. Eles iriam entrar na Terra Prometida, mas isso não iria tirar o pecado deles. Eles viram tudo o que Deus havia feito, experimentado o cuidado sobrenatural do Senhor, mas isso, simplesmente, não tirava o pecado deles, porque eles não tinham um coração capaz de entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir.

 

Algo precisa acontecer em nós para que tudo o que nós vemos e ouvimos faça sentido. E esse algo é descrito por Moisés um pouco mais à frente, em Deuteronômio 30.6. Depois de deixar evidente a incapacidade do povo de alcançar o que eles precisavam, Moisés mostra como essa necessidade seria suprida — ou melhor, quem supriria essa necessidade:

 

“O SENHOR, seu Deus, circuncidará o coração de vocês e o coração dos seus descendentes,

para que vocês amem o SENHOR, seu Deus, de todo o coração e de toda a alma,

para que vocês tenham vida.

 (Deuteronômio 30.6 – ênfase do autor)

 

A necessidade que o povo de Israel tinha, e que nós temos, é de um novo coração. E esse novo coração viria como fruto de uma Nova Aliança. A Antiga Aliança, feita com Moisés, era incapaz de mudar o coração do povo. Nós não somos capazes de nos salvar, de obedecer perfeitamente, de merecer o favor do Senhor. É por isso que Deus mesmo precisa prover para nós um meio para que tenhamos esse novo coração.

 

Essa promessa, que vemos em Deuteronômio 30, é repetida em Ezequiel 36. Provavelmente no pior momento da história de Israel, quando o povo estava longe, afundado na idolatria, completamente perdido, Deus oferece, unicamente pela Sua graça e misericórdia, uma Nova Aliança. Essa Nova Aliança não seria física, como as anteriores, mas espiritual. O Cordeiro viria para selar o início da Nova Aliança, uma aliança que traria a oferta de um novo coração, e que teria como objetivo fazer o nome do Senhor conhecido a todas as nações. O texto de Ezequiel 36 é muito rico, e eu recomendo a leitura com calma. Mas quero destacar apenas a realidade de um novo coração que a Nova Aliança trouxe.

 

Deus dá Um Novo Coração ao Seu Povo

 

Ezequiel 36.26b e 27 diz o seguinte:

 

“... tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne.

Porei dentro de vocês o meu Espírito e farei com que andem nos meus estatutos,

guardem e observem os meus juízos.”

 

Jesus fala sobre isso na sua conversa com Nicodemos, em João 3. Ele fala que ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo — ou usando outras palavras, ninguém pode ver o Reino de Deus sem receber um novo coração, uma nova vida. É preciso um novo coração! Nós nascemos com um coração de pedra, um coração duro, frio, incapaz de amar ao Senhor, incapaz de reconhecer o Senhor. Nós vemos isso claramente ao longo da história de Israel: um povo que tem o coração duro, frio, rebelde. Deus promete, então, retirar esse coração podre e duro, e colocar no Seu povo um novo coração, que encontra deleite nas coisas do Senhor, um coração que se alimenta da Palavra, um coração que busca por oportunidades de servir e proclamar as virtudes dAquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz (1 Pedro 2.9 e 10). Não existe vida de obediência, não existe vida agradável ao Senhor, sem que haja antes uma transformação no coração. A única coisa que poderia transformar o povo, a única coisa que pode nos transformar, a única coisa que pode nos levar a amar ao Senhor é recebermos um novo coração.

 

O Cordeiro Veio Para Nos Dar Um Novo Coração

 

O Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (João 1.29), veio nos dar um novo coração, nos purificar dos nossos pecados, nos dar uma nova vida, nos oferecer vida eterna, e somente quando recebemos esse novo coração é que somos capazes de responder com fé e arrependimento à mensagem do Evangelho. A vinda do Cordeiro era completamente necessária, porque só através dEle podemos ter um novo coração.

 

Uma aliança com um Novo Mediador, um Mediador perfeito, que seria o caminho perfeito até o Pai, era necessária. Uma aliança com um Sacerdote perfeito, que não simplesmente ofereceria o sacrifício, mas que seria o sacrifício perfeito para propiciar e expiar nossos pecados. Uma aliança com um Rei perfeito, que lideraria o povo de forma justa, e que garantiria a vitória em todas as batalhas. Uma aliança com um Profeta perfeito, que não só comunica as profecias, mas que as cumpre todas em Si mesmo. O povo precisava dessa pessoa, desse Mediador, desse Sacerdote, desse Rei, desse Profeta. Eles não precisavam de um cordeiro, como o que aprenderam a oferecer na Páscoa no êxodo, eles precisavam do Cordeiro!

 

E o Cordeiro perfeito veio! Glória a Deus por isso!

 

Editorial de Gustavo Santos


 
 
 

Comments


© 2023 Igreja Batista Maranata. Todos os direitos reservados.

bottom of page